8 de setembro de 2014

The art of thinking twice

Como sabemos que já é "a" altura?

A altura de uma despedida.
A altura de irmos ao médico.
A altura de nos mostrarmos mais sérios.
E a altura de nos mostrarmos impacientes.

Às vezes pergunto-me como se definem esses tempos. Esses cronômetros mentais que nos assombram a paciência. Essas difusões de coisas que para nada servem.

Existem coisas no mundo que não servem para nada. E quase me sinto ignorantemente aliviada por saber disso. 

A arte de pensar duas vezes é ainda por mim desformulada em palavreados básicos e superficiais. Essa superficialidade que se define pela tremenda insegurança que se tem em se ser alguém diferente. Alguém que foge as regras do senso-comum como um rabo foge a uma seringa. 

Nunca fui de regras. Já atravessei uma autoestrada a correr. Já fui várias vezes apanhada sem bilhete no comboio. Já atravessei no sinal vermelho para os peões. Raramente fiz o que me era aconselhado. Destinado, até, por vezes.
Nunca fui de regras. Básicas ou não. Regras sempre foram para mim coisas inventadas por quem tem um jeito maravilhosamente sádico de ser.

Antes, ultrapassar a linha era só um ritmo da adolescência rebelde.
Hoje é uma troca de almas lavadas que nada sabem nem saberão.

Isso, aprendi com o tempo uma coisa que me deixou mais sábia. Isso, foi isso que aprendi.

Que quanto mais sabemos, mais ignorantes somos.

Andamos por aí, tudo bem. Tudo bem que ninguém saiba para onde vai ou se lembre de onde vem. Tudo bem. Tudo bem. A única importância é que todos saibamos que vamos, mas vamos sós.

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